A estética do universo e a consagração a Nossa Senhora – Final
Plinio Corrêa de Oliveira
São frequentes em torno de nós as pessoas que supõem ter verdadeiro espírito católico, porque recebem uma ou outra vez os sacramentos e praticam alguns atos de piedade. Entretanto, os seus modos de pensar, de sentir e de agir são marcados por um espírito oposto ao da Igreja. Até mesmo entre as pessoas piedosas dá-se, em escala menor embora, o mesmo fato.
A estética do universo e a consagração a Nossa Senhora – Parte 5
Plinio Corrêa de Oliveira
Em que sentido um católico pode e deve ser homem do seu tempo?
Toda época costuma diferenciar-se da anterior por conter alguns defeitos que ferem a atenção, e que se deseja corrigir, mas muitas vezes dissente dela por discordar das suas qualidades. Em relação ao passado próximo de que nós provimos, nós não queremos, não devemos e não podemos aceitar tudo, mas rejeitar certos elementos criteriosamente. A época passada apreciava, por exemplo, a oratória florida, farfalhante, verbosa e torrencial, que se manifestava em todas as ocasiões possíveis. Um aniversário, uma formatura, um casamento, o regresso de uma longa viagem, tudo era ocasião para um discurso. E tais discursos eram tão padronizados, que já havia manuais contendo peças oratórias de circunstâncias. Essas peças podiam ser repetidas, por exemplo, em todo o Brasil, desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul, em Portugal e nas colônias.
A estética do universo e a consagração a Nossa Senhora – Parte 4
Plinio Corrêa de Oliveira
Para que compreendamos bem como servir Nossa Senhora em nosso século, é preciso que tenhamos bem em consideração as circunstâncias peculiares a ele. Vivemos em nossos dias em um processo revolucionário que, tendo começado com o protestantismo e o humanismo no século XVI, alcançou um triunfo universal pela Revolução Francesa no século XVIII, e pela extensão dos princípios desta ao mundo inteiro no século XIX. Esse processo chega agora aos extremos de si mesmo na afirmação do comunismo. Nós estamos, portanto, no clímax de uma longa série de apostasias. Nisto está a marca dominante dos acontecimentos de nossos dias, e das circunstâncias dentro das quais a Igreja age, vive e luta atualmente.
A estética do universo e a consagração a Nossa Senhora – Parte 3
Plinio Corrêa de Oliveira
Sabemos pela doutrina católica que a formosura de todas essas coisas é imagem de Deus, Espírito puro e infinitamente perfeito. Assim, já que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, elas também são imagens do homem, e que o céu e o mar, em seus vários estados, fazem lembrar a alma humana em suas várias disposições: o jogo complexo das paixões humanas, as virtudes da alma humana quando esta realmente reflete a santidade de Deus Nosso Senhor.
Estas regras de estética são meios para considerarmos a verdadeira beleza da santidade no homem. E portanto a beleza e santidade da mais alta de todas as meras criaturas, Nossa Senhora, que com tanta e tão esplêndida propriedade tem sido e deve ser comparada ao céu e ao mar. Alma de uma imensidade inefável, na qual todas as formas de virtude e beleza existem com perfeição supereminente, da qual nenhum de nós pode ter uma ideia exata. Nossa Senhora é bem aquele mar, aquele céu de virtudes diante do qual o homem deve ficar estarrecido e enlevado, e com todas as suas forças deve procurar amar e imitar.
A estética do universo e a consagração a Nossa Senhora – Parte 2
Plinio Corrêa de Oliveira
Há um conjunto de regras de estética que nos podem facilitar o conhecimento da beleza que Deus pôs no Universo, como ponto de partida para subirmos à consideração de sua beleza incriada. A mais fundamental dessas regras é a coexistência harmônica da unidade e da variedade.
Em vez de nos atermos, entretanto, a uma enumeração e definição fria desses princípios, seria talvez mais interessante que os consideremos enquanto realizados em alguns dos seres que mais facilmente nos caem debaixo dos olhos.
A estética do universo e a consagração a Nossa senhora – Parte 1
Plinio Corrêa de Oliveira
E assim nós passamos de termos genéricos de nossa tese para o ponto flagrante de nossa consagração, como ela deve ser realizada em nossa vida de filhos da Igreja militante neste século. Isto implica em perguntarmos no que consiste a consagração a Nossa Senhora de nossas pessoas, e dos genuínos valores da sociedade temporal. A noção corrente a tal respeito, inteiramente verdadeira e imensamente preciosa, parte da consideração de Deus como causa final do Universo.
Os homens contemporâneos estão cada vez mais incapazes de admirar desinteressadamente algo ou alguém. Frequentemente, suas admirações se restringem a um movimento de pura simpatia intelectual ou afetiva, sem provocar uma adesão amorosa àquilo que admiram. E uma admiração amorosa e desinteressada é essencial para progredirmos no amor a Deus.
Apesar de nosso mundo tão paganizado não ser digno de presenciar os grandes milagres que ocorriam com abundância na Cristandade nos tempos de fé, uma exceção foi feita a São Charbel Maklouf, cuja vida foi um prodígio constante, e seus milagres não cessaram após sua morte, e continuam, como veremos, até nossos dias.
Se há uma época para cuja miséria só pode existir esperança de remédio no Sagrado Coração de Jesus, esta é a nossa.
Inútil seria atenuar a enormidade dos crimes que por toda a parte pratica a humanidade em nossos dias. Disse Pio XI, em uma de suas Encíclicas, que a degradação moral do mundo contemporâneo é tal que o coloca na iminência de se ver precipitado, de um momento para outro, em condições espirituais mais miseráveis do que aquelas em que se encontrava quando veio ao mundo o Salvador.