Marcos Machado

Paz, guerras, destruição, mortes, sofrimentos quantos falam sobre esses temas de nossos dias. Todos queremos a Paz. Quantos saberão exatamente o que é a Paz de Cristo?
Nosso Senhor, às vésperas da Paixão, ensina aos Apóstolos: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz; não vô-la dou, como a dá o mundo.” (Jo. 14-27)
Duas formas de Paz
Então, há duas formas de paz? A que vem do mundo e a que vem de Deus?
Quem viveu os sangrentos dias da última Grande Guerra (1939-1945) também tinha diante de si, de forma viva, a questão da Paz.
Várias vezes, nas páginas do jornal Legionário (oficioso da Arquidiocese de São Paulo), Dr. Plinio abordou o tema da Paz.
Creio que nossos leitores, de uma perspectiva católica, gostarão dessa abordagem do tema que hoje nos envolve tanto e tanto. Claro, todos queremos a Paz, rezamos pela Paz. Mas, o que é essa Paz? É a do Mundo ou aquela outra que só o Divino Mestre nos pode alcançar?
Os fundamentos da Paz
Previno os leitores, não procurem nesse artigo apenas mel. As verdades profundas, altíssimas tantas vezes são compradas à força do sacrifício. Afinal, ensina São Paulo, o reino dos céus é dos fortes na virtude.
Voltemos a 1945. Escreveu o Dr. Plinio, recordando São Luiz Grignion:
“Nunca Deus fez e formou senão uma inimizade, mas esta é irreconciliável e há de durar e mesmo aumentar até o fim do mundo: entre a Santíssima Virgem e o demônio. “Porei inimizades entre ti e a Mulher, entre sua descendência e a tua; ela te esmagará a cabeça e em vão armar-lhe-ás ciladas ao calcanhar” (Gen. 3-15) diz Deus à serpente no Paraiso.
Mas, então, a Paz no mundo não pode resultar de uma fraternidade meramente humana, uma benquerença universal, uma vacina da “boa-vontade” que ONU e OMS espalhassem pelos Continentes?
A isso, responde o artigo: “Portanto, para obter a paz para o mundo, não recorramos ao que nos dita a carne e o sangue, mas à Celeste Medianeira de todas as graças.”
Em outras palavras, Dr. Plinio está se referindo às palavras de Nossa Senhora em Fátima, 1917: a Paz virá e pede conversão, orações, sacrifício, emenda de vida.
Diz Nosso Senhor que Satanás não expulsa a Satanás. “Somente a verdade nos libertará e esta verdade nós não a encontramos nessas doutrinas reiteradamente condenadas pela Santa Sé infalível, mas no fiel cumprimento dos mandamentos de Deus e da Igreja, que não precisa de salvadores, mas que pelo contrário, oferece aos povos e aos governos o único porto de salvação que é Nosso Senhor Jesus Cristo.”
Outra verdade que pode nos parecer dura, difícil. Não é nos aliando a Belzebú que derrotaremos Satanás. O cadinho das provações está nos purificando. Belzebú aí é o espírito do mundo.
A Mensagem de Fátima
Continua Dr. Plinio (1945) “Eis a mensagem de Fátima. Aparecendo àqueles três obscuros pastorinhos, quis Deus manifestar o poder de seu braço, abatendo os poderosos e exaltando os puros e humildes de coração.”
Sim, os pastorinhos não tinham nada daquilo que se chama “poderosos”.
Vejamos a clareza da Mensagem de Fátima:
“Para alcançar a paz para o mundo, a Celeste Medianeira de todas as graças não propôs aos homens todo um programa de assistência material ou de reajustamento de fronteiras.”
Conversão do Filho Pródigo
“Para obter a paz para o mundo, a Mãe de Deus nos veio exortar a mudar de vida e a não mais afligir com o pecado a Nosso Senhor. Para alcançar a tranquilidade que tanto almejamos neste mundo conturbado pelas misérias e pelos sofrimentos, convida-nos a Virgem Santíssima a recitar o Santo Rosário e a fazer penitência pelos nossos pecados.”
“Certamente a Rainha dos Céus não se deixa levar pelos remédios e opiniões dos sábios e orgulhosos desta terra. Ela não ignora que seu Divino Filho é o mesmo ontem, hoje e para todo o sempre. E o problema do mal e das misérias humanas se prende àquela mesma serpente antiga, ao eterno Pai da Mentira que roubou a paz e a felicidade terrena de nossos primeiros pais.”
Verdade eterna e sempre nova: o problema das misérias humanas se prende à mesma antiga serpente. Queremos sinceramente a Paz? Vamos à raiz do problema: misérias morais que precisam do remédio salutar da Santa Igreja.
Conclui o Dr. Plinio:
“E ontem, como hoje, para a conquista da paz e da concórdia entre os homens, é preciso que inicialmente trabalhemos para que Cristo reine nos corações.”
Para obtermos esta graça, volvamo-nos para nossa Rainha e Advogada.
Escreveu São Luiz Grignion de Montfort: “Maria deve, mais que nunca, reluzir de misericórdia, de força e de graça:
- de misericórdia, para fazer voltar e receber amorosamente os pobres pecadores e transviados que se hão de se converter e volver à Igreja Católica;
- de força contra os inimigos de Deus, os idólatras, cismáticos e ímpios obstinados que se hão de rebelar de um modo terrível, para seduzir e fazer cair por meio de promessas e ameaças todos que lhes forem contrários;
- deve reluzir de graça, finalmente, para animar e confortar os valentes soldados e fiéis servos de Jesus Cristo, que pugnarão por seus interesses.”
Queremos a Paz, rezamos pela Paz, nos empenhamos pela Paz. Comprendamos, porém, que ela vem do Alto.
Concluindo, “tenhamos abertos os corações às moções da divina graça e não poupemos esforços, sacrifícios e orações para que através da Santíssima Virgem, Cristo volte imperar em nossas almas, em nossas famílias, em todas as nações.”
Refugium Pecatorum, Regina Cordium, Regina Pacis, ora pro nobis!
Fonte: https://www.pliniocorreadeoliveira.info/fatima-para-obter-a-paz-para-o-mundo-a-mae-de-deus-nos-veio-exortar-a-mudar-de-vida-e-a-nao-mais-afligir-com-o-pecado-a-nosso-senhor/
Fonte: Site Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. Link: A Paz que vem de Fátima – Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.



