Deus, causa final do Universo

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A estética do universo e a consagração a Nossa senhora – Parte 1

Plinio Corrêa de Oliveira

E assim nós passamos de termos genéricos de nossa tese para o ponto flagrante de nossa consagração, como ela deve ser realizada em nossa vida de filhos da Igreja militante neste século. Isto implica em perguntarmos no que consiste a consagração a Nossa Senhora de nossas pessoas, e dos genuínos valores da sociedade temporal. A noção corrente a tal respeito, inteiramente verdadeira e imensamente preciosa, parte da consideração de Deus como causa final do Universo.

Sendo Deus o fim de todas as coisas, é normal que todas sejam ordenadas para Ele, o que se dá mediante a ordenação de todos para o cumprimento da Lei, a salvação das almas e a exaltação da Igreja na Terra. São tão verdadeiros, tão claros e tão conhecidos estes princípios, que não me deterei em os expor mais longamente. Mas ao par deles há um aspecto que corresponde a várias das preocupações da filosofia contemporânea, e que ficou mais ou menos soterrado no acervo dos conhecimentos da doutrina católica, correntes em grandes massas de fiéis. Parece que sobre eles é conveniente que eu me detenha mais. Trata-se da consideração de Deus como causa exemplar do Universo.

Deus, causa exemplar do Universo

Deus criou o Universo, e depois deu ao homem a faculdade de completar vários aspectos da ordem e da beleza universal por meio de sua ação. De maneira que, no dizer de Dante, todas as coisas são filhas de Deus, e as obras do engenho humano devem ser consideradas netas de Deus. Assim, Deus, ao criar o universo, teve em vista um admirável plano de harmonia e beleza, mas deixou a realização de parte desse plano confiada às luzes, ao arbítrio, ao engenho do homem.

Para que todo esse plano, todo esse universo de ordem e beleza instituído por Deus? Insisto na ideia de universo de beleza, porque habitualmente em nossos dias se considera de preferência o Universo como uma grande máquina de funcionamento perfeito.

Assim, quando se fala a respeito da sabedoria do Criador, mostra-se quase sempre como as coisas estão concatenadas de tal forma que elas não se destroem, nem colidem umas com as outras, mas coexistem com harmonia e mutuamente se apoiam. É uma visão funcional do Universo; inteiramente verdadeira, por certo, mas que mostra apenas um aspecto que nossa época mecanicista e ultra-técnica mais facilmente compreende.

Mas há um outro aspecto do universo relacionado com Deus enquanto causa exemplar, enquanto Ser incriado e infinitamente belo, que se reflete de mil maneiras em todos os outros seres que Ele criou. De maneira tal que não há nenhum ser que a um título ou outro não seja um reflexo da beleza incriada de Deus. Sobretudo a beleza de Deus se reflete no conjunto hierárquico e harmônico de todos esses seres, de tal maneira que não há, em certo sentido, um modo melhor de conhecermos a beleza infinita e incriada de Deus do que analisando a beleza finita e criada do Universo, considerado não tanto em cada ser, mas no conjunto de todos eles.

Deus se reflete ainda em uma obra-prima mais alta e mais perfeita do que o cosmos. É o Corpo Místico de Cristo, a sociedade sobrenatural que veneramos com o nome da Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Constitui Ela mesma todo um universo de aspectos harmônicos e variegados, que cantam e refletem, cada um a seu modo, a formosura santa e inefável de Deus e do Verbo Encarnado. Na contemplação do Universo, de um lado, e de outro lado a Santa Igreja Católica, podemos elevar-nos à consideração da beleza santa, infinita e incriada de Deus.

Fonte: Revista Catolicismo n° 847, julho de 2021. Link: Catolicismo n° 847, julho de 2021.

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